12.4.09

Teoria Económica Avançada II

O dia irá acabar dentro de aproximadamente meia hora, são onze e vinte e seis, e esta não se trata duma teoria sobre o fim do mundo ou sobre as razões do aquecimento global que o podem vir a destruir, é mesmo porque na realidade dentro de aproximadamente meia hora entraremos no próximo dia do mês, que se segue a este que anda prestes a acabar, não é teoria, é prática!

Poderás ter reparado já, que sou de muitas introduções, mas a verdade é que já tentei escrever este mesmo texto: Comecei a meio da tarde com uma prosa poética pouco convencional, mas a minha frustração por palavras mal conjugadas fez-me desistir, e ir vaguear o pensamento pró sofá da sala do conforto do lar no mundo estranho onde me encontro. Poderás também ter reparado já neste bocado de texto que ando agora a escrevinhar, e se bem te conheço estás já a ler tudo o que está na minha cabeça que ainda não escrevi. Mas tu és assim, e é por isso que escrevo. E é por isso que escrevo em Teoria Económica Avançada II sabendo que tu perceberás tudo isto em Estudos Portugueses Contemporâneos. Coisa a que eu sempre achei piada; escrever em códigos para que só me percebam os que dividem a Cidade Encantada comigo, por sorte, só te encontrei a ti. Talvez porque a Cidade Encantada foi uma construção meramente nossa. E tenho a dizer que ninguém construirá uma cidade tão bela como nós a fizemos. Embora saibas motivos, e os motivos são coisa que sabes de cor, sabes também que as palavras são os capítulos da nossa existência, e nós sem elas não fazemos sentido (já viste livros sem capítulos?), como a nossa cidade não faz sentido sem nós.

Às vezes dizes-me o quanto me anseias no teu bosque feito de magias e quadros com bolas de cores, dizes-me o quão sou importante, e fazes planos para um futuro que não tomamos por certo, és até bem capaz de me comparar à Marilyn Monroe (mas eu nem sequer sou loira!) e meteres-me coisas no fundo do teu portátil. Decorei que “nunca estás comigo, nunca estás comigo fisicamente, nunca me abraças, mas vives em mim, no meu pensamento”. Nunca estou contigo, mas ao estar sinto-te um amor tão cá de dentro, tão forte e tão essencial. És até bem capaz de ser a tal Borboleta que bate as asas no meio do mundo e provocas depois um tufão no sul do mesmo. E já te deves ter apercebido que a Língua Portuguesa ainda não agregou palavras suficientes que te consigam definir, tu não tens definição possível, és tu. Embora que o Tu seja extremamente descaracterizador, quantos “tu’s” existem no mundo afinal?


Adiante... Gostava de te dizer muita coisa, gostava de saber fazer-te um poema lindíssimo que tu recordasses para sempre, gostava de ter palavras tão bonitas que tu jamais esquecesses, mas embora fosse isso que queria, não é isso que faço, porque a minha inspiração transporta-me hoje (o novo dia a que cheguei à alguns instantes), a outro patamar.

E talvez até valha a pena dizer-te o porquê de estares cá dentro: És uma pessoa fabulosa; compreendes dentro da tua composição um todo de obscuridade e doçura que atormentariam até a alma mais insensível.
És uma criatura meramente fantástica porque tornas os teus sonhos possíveis, não obstante fazes mais do que isso; tornas possíveis os sonhos dos outros. És um modelo a seguir, tu própria segues-te com uma força fenomenal, e isso é já um motivo de orgulho. Quando tens um lenço ao pescoço ainda és mais mágica, até as subidas se fazem melhor assim! Deixa-me dizer-te que nos momentos de chuva em situações de solidão és a melhor companhia telefónica que se pode arranjar. E até quando adoeces tomas mil e um comprimidos e tas pronta pra sair de casa. Tu não és real, tu nem sequer pertences a este mundo, porquê que desceste à terra se o teu verdadeiro lugar é o pedestal mais alto do Monte Olimpo?
Minha menina, seria um prazer decorar cada pormenor da nossa cidade a teu lado. Aliás seria uma honra faze-lo contigo, nós que a compreendemos tão bem e ambas sabemos quão grande é o nosso amor, porque ambas não somos dela.
Já rondo a primeira meia hora do próximo dia do mês, e mesmo agora penso em deixar que não te olvides de cada um dos nossos minutos encantados; que não te esqueças da nossa cidade tão cor de paredes do século passado e de telhados cor de tijolo, nomes de ruas ridículas e construções pombalinas meticulosamente bem feitas, numa cidade tão velha como ela mesma, e um sem fim de pessoas a passarem-nos ao lado. Não esqueças esse cheiro citadino que aspiramos até mais não poder para não o esquecermos nunca, porque a cidade é nossa. Não esqueças nenhuma das sete colinas, nem a cerveja, nem o vinho branco horrivelmente mal saboroso. Os amendoins nem pensar! Por favor, recorda-te dos macacos! Nunca esqueças nada de todo o resto porque tu sabe-lo tão bem como eu. Minha querida, não esqueças a nossa cidade encantada até ao dia que a viveremos de novo, eu e tu. Porque a mim e a ti não nos falta mais nada,
somos somente nós, e isso basta-nos tão bem.

Tenho a dizer-te tudo o que não escrevi aqui. E tenho a certeza que leste isso mesmo. Afinal sempre foste boa a Estudos Portugueses. Podes ignorar portanto toda a Teoria Económica Avançada II.
Lê-me onde não estou, pois é exactamente ai que me encontro.
No nosso bosque, ou nas nossas ruelas escondidas por cimento, ou em qualquer outro sitio que tu conheces tão bem.
Primeiro desculpar-me-ás pela pobreza desta tese, depois Agradecer-te-ei por toda a tua existência.


O mais importante de tudo: Recorda para sempre o sabor do Chá e da Chuva mesmo ao virar da esquina…
Um Beijo Querida Princesa Encantada.

14 comentários:

  1. Ora depois disto o que é que eu tenho a dizer?
    Hum..
    Escreves bem, acho que já te tinha dito isto, se num futuro proximo não te aventurares a escrever algo mais coiso, se é que me entendes, vou obrigar-te e olha que de mim tens que ter medo, porque não sei se sabes mas eu sou uma caçadora de demónios!
    (acho que já num comment qualquer a um texto fantástico teu te disse que a partir da meia noite e qualquer coisa o meu cerebro parava, é mesmo verdade, ele para mesmo)
    Enfim.. Tu adoras a cidade encantada, eu não tenho nenhuma cidade encantada para adorar (secalhar é isso que me faz falta)...
    Gostei ali da parte em que falas dos "tu's" que existem e coiso!
    Olha amanhã logo cá venho para escrever qualquer coisa de jeito (venho antes da meia noite, porque senão saí merda como este saiu)
    amo-te
    tenho saudades tuas
    e do teu cabelo laranja
    e de me falares em macacos
    e do teu riso.
    e já agora boa páscoa (apesar de eu não fazer ideia do que é a páscoa, uns dizem-m que sao coelhos e ovos (?) outros dize-me que Jesus ressusitou dos mortos (???) enfim.. diverte-te enquanto andas pela cidade encantad!
    beijos*

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  2. Oh obrigada :)
    Ontem à noite estava inspirada, foi o que saiu. Escrita automática ^^

    E estou a ver que não fui a única.
    Texto mais lindo *.*
    E que coisa mais fofa :') -----> "O mais importante de tudo: Recorda para sempre o sabor do Chá e da Chuva mesmo ao virar da esquina…
    Um Beijo Querida Princesa Encantada."

    Beijinhos**

    PS: Boa Páscoa =P

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  3. "Lê-me onde não estou, pois é exactamente ai que me encontro" é sempre assim não é? :)


    Adorei. (Mesmo!) Fez-me sonhar *.*

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  4. Não és nada burra. Na pior das hipóteses terei sido eu que não me expressei bem. Resumindo, falei da tendência crónica, do Homem, ver/encontrar características humanas na natureza. Com a agravante de - a maioria destas "descobertas" - significar que um grande mal está para chegar. É o que se chama de pareidolia.

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  5. Não, por acaso não, é o blogue das fotos :p

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  6. "o que muda é a maneira de sentir, nunca o sentimento." Concordo. E talvez eu não seja a melhor pessoa para sentir as coisas da melhor maneira :/

    PS: Tenho que informar que o meu blog (Snoopy eats cheese) está apenas disponível para autores convidados. Se quiseres continuar a segui-lo vai a este link (http://yeacklimon.blogspot.com/) e deixas o teu mail como comentário para eu te adicionar no Snoopy. Eu não publico o mail, fica descansada :) É apenas para conseguires seguir e ler o outro blog. Obrigada e desculpa pelo trabalho :$
    Tive que mete-lo mesmo como "privado" :$

    Beijinhos**

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  7. ''Lê-me onde não estou, pois é exactamente ai que me encontro.''

    Que bonito (:

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  8. Nãão, o único convidado daquele blogue, é a namoradinha ehehe.

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  9. É a verdade :)
    Um beijinho*

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  10. Oh minha querida, sinto-me tão pequena neste momento e olha que de pequena tenho pouco, mas enfim.
    Vim aqui, de fugida como diz o povo, esse mesmo povo que passou ao nosso lado, nessas ruas encantadas por nós.

    A hora é tardia, o sono é muito e peço desculpa pela demora em vir aqui. Oh Inês, só me apraz dizer que te adoro, que te adoro num tamanho de palavras que nem caberiam em todos os dicionários do mundo.
    E já que temos o poder de encantarmos a cidade, desejo agora o poder de parar o tempo naquele tempo em que encantámos as ruas lisboetas, desejo poder voltar a respirar aquele mesmo ar contigo, porque contigo a cidade muda e nós mudamos connosco e com ela. Porque contigo até a chuva sabe bem e as doenças passam.

    E se eu adoro a magia da cidade, percorrê-la contigo tornou-se como uma utopia real (e eu que pensava que estas duas palavras não eram verdadeiras quando juntas!), foste o meu "outro lado" quando pensava que não o tinha.

    E leio-te sim, leio-te onde não escreves, leio-te em cada espaço, cada ponto, cada vírgula, cada palavra, leio-te onde estás e onde não pareces estar, mas acabas sempre por preencher cada pedaço, como peço também que faças comigo, que me leias onde não escrevi e que saibas tudo aquilo que aqui te não digo.

    Não me esquecerei de nenhum segundo, de nenhuma palavra, de nenhuma magia e lembrar-me-ei que voámos juntas sobre o bosque encantado :)
    Recordar-te-ei em cada amendoim, em cada rua do Bairro Alto, em cada chícara (hum, que palavra interessante às 3 da manhã) de chá...
    Lembrar-me-ei de ti todos os dias porque fizeste mágico tudo aquilo que eu já julgava estar encantado.E, se por algum motivo, ouver dia em que não recorde estes dias, basta-me olhar para a parede e recordar-te numa rua tão lisboeta.

    E, se começo pequenina, acabo minuscula, porque a cada toque nas teclas sinto que não sou capaz de fazer teses sejam elas de economia ou português, de chá ou de vinho...

    E já que me pedes para não deixar de sentir o sabor do chá e da chuva, a ti peço que leves contigo o mais encantado que Lisboa pode dar, o fado e a saudade em cada despedida.

    Um beijo minha pequena Inês de cabelo laranja a sorrir...

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  11. AMEI , AMEI , AMEI :O:O

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