22.6.09

Avant(e) Cinemá!


Eu gosto de informação. Gosto de jornais, de papéis com letras, seja com chá ou com café, hoje em dia até gosto muito mais das páginas on-line que dão acesso a esse fantástico mundo informativo tão perto de nós.

Fazendo jus às máximas francesas da liberdade, até pode ser que eu nunca venha a ter um filho, até é possível que plante uma árvore, mas escrever um livro também não me fio muito, não que não me causasse uma felicidade imensa escrever um livro, mas tendo em conta as circunstâncias a que correm as horas, um livro parece-me ufano demais (não que não existam livros que era melhor não terem sido escritos, mas neste caso refiro-me à verdadeira, e boa, literatura. Como ouvi no outro dia na televisão: “Ler está na moda, meninos”).


Esta manhã acordei com vontade de consultar as novidades correntes, desisti portanto de tentar enfiar o livro de História A na cabeça, seja o que for que aconteça, é tudo cultura geral, como dizia o M. aqui à uns dias, “prefiro ter cultura a outros níveis do que apenas saber falar de direito” eu cá de direito não falo, mas sei falar de outras coisas, agora se são boas ou não isso não vem ao assunto.

Em conversa com a C. no outro dia (a futura cineasta, sempre a par das novidades), surgiu em tema o filme da Anne Fontaine Coco Avant Chanel”, tanto pelo tema, como pela singularidade do próprio filme escusado será dizer que se trata dum filme obrigatório, (revelando aqui a minha paixão platónica por moda e o sonho destruído de querer ser estilista) com a Audrey Tautou (desconhecem? Mas talvez se falarmos de o “Fabuloso destino de Amelie” se lembrem).

Aproveitei o facto de entrar na página do Público, para enfiar a cabeça no “CINECARTAZ”, e então pensei “Quando será que estreia cá?” e descendo a página encontrei o tópico salas e horários por distrito”, e lá estava esse nobre distrito de “Faro”, após um rápido clic, surpresa das surpresas? “Este filme não está em exibição neste distrito, pois claro, como é que não me tinha ocorrido esta? Já nem sequer é novidade, aconteceu o mesmo com “Singularidades de uma Rapariga Loira” e com “A Corte do Norte”, meu querido Algarve (L)!, mas porque será que ainda me chocam frases como: “Este filme não está em exibição neste distrito” ?, claro que não está em exibição, neste distrito quem é que precisa de ver filmes quando podem ir todos p'ra praia durante todo o santo dia?

Ninguém se aflija porque também não precisamos de peças de teatro, não, nem exposições. A Gulbenkian e o CCB são p'ra nós nomes completamente desconhecidos. Nós, os algarvios, vivemos muito bem sem cultura, obrigada. Afinal temos praias o dia todo, ficar bronzeados é que interessa, agora uma tarde no cinema ou no teatro? Não... Deixem lá isso para a metrópole, que os da capital é que necessitam de inteligência. Afinal os algarvios são “estúpidos” e falam mal, e eu digo-vos como é que falam mal: O RAIO QUE VOS PARTA A TODOS, SEUS IMBECIS!

(E a culpa é nossa. Não gostamos mas também não exigimos mais do que isto, claro, temos as praias, e os idiotas todos que vem bronzear o traseiro no mês de Agosto, apanhar bebedeiras pra Albufeira e irem a Vilamoura isso é que é engraçado.)

Mas a mim não me apanham nessa massa juvenil, há nao! Exista justiça e eu rapidamente meto os cordelinhos a mexer daqui p'ra fora, e não me venham dizer que não gosto do Algarve, mas que se lixem os dias de sol e calor e o ar puro que a praia a mim não me diz nada!

4 comentários:

  1. Até parece que não sabemos que ela, por vezes, está mesmo à nossa frente, quando abrimos uma janela :) Já venho ler o teu post, passei por aqui com pressa, já cá regresso. Um beijo, mon amour *

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  2. www.teatromunicipaldefaro.pt
    www.cineclube-tavira.com
    www.cineclubefaro.blogspot.com

    pequenos exemplos de que, embora debilitada, a cultura no Algarve existe e está até em fase de crescimento. Agora também depende das pessoas aderir às iniciativas para que elas possam vingar e continuar a existir ...

    e é verdade que em Lisboa existem bastantes mais alternativas, mas também existem bastante mais pessoas, logo acaba por ser uma questão mais matemática do que outra coisa: mais pessoas = mais oferta cultural! :)

    Bem, espero que te corra bem o exame de história!

    Até logo *

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  3. Adorei este teu tom pah. O centralismo de Lisboa pronto... é crónico já.

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