24.6.09

m o r r e s t e - m e

"Morreste-me" é uma boa palavra para explicar o oco da tua ausência.
Para explicar o verdadeiro sentido da palavra, se é que a palavra tem sentido. O que diria que te aconteceu?
- "Morreste-me"
- Foi exactamente isso que aconteceu.
Muitas pessoas me morrem, e da minha parte, existe uma consciencialização de factos, de culpas, minhas ou dos que me vão morrendo. Porém, a tua forma foi diferente, "Morreste-me" para todos os outros dias que eu viva, afogando-me na tua não presença continua. -"Morreste-me" por mim dentro e por fora de mim e por fora e por dentro dos outros. De estranhos, de presentes, morreste incontestavelmente. O que parte de mim, agora, não é aceitar a tua falta de vida, é aceitar a continuidade de não viveres mais.
Ainda hoje me fio nisto paro como quem quer continuar e tento pensar, mas não penso. Nem continuo. Nunca me "morreste" por inteiro, mas eu por inteiro vou-me matando dentro da tua falta de ar. É impulsivo. Algo que faço não por querer, mas porque não reparo nisso. "Morreste-me" é uma boa forma de explicar o sentido da tua morte em mim, um sentido desprovido de sentidos nenhuns. Mas é uma boa palavra na mesma. Boa palavra...
O dia hoje tá fastidiosamente quente, quase que faz lembrar as manhãs de verão em que acordavas cedo e ias trabalhar e voltavas à noite quando já não havia sol, mas voltavas feliz. Ainda ontem me disseram qualquer coisa como isto "andas sempre feliz, nunca te vi sem sorrir. Será que a tua vida é perfeita?". Onde será que aprendi esta técnica? (risos)
Tive dentro de mim, a maior fortuna de todas, que ninguém terá como eu. Tenho consciência que até ao ponto culminante do fim da tua existência, a minha existência foi excepcional, e nada me honra mais do que os teus traços impulsionadores à minha infância. E hoje o dia não é nada, não foi hoje que "me morreste" não é hoje que "me morres", todos os dias tens uma significação exemplar na degradação dos meus segundos de vida, mas hoje não é por nada. Tenho-te muitas vezes dentro do meu pensamento, umas alturas mais do que outras. Também porque estes tempos que ora correm são diferentes, não se trata de uma literatura simples, mas de um emaranhado de palavras desprovidas de classe. Eu não tenho classes, e sou uma frustrada no real sentido da palavra, ainda assim, "Fazes-me Falta".








(Morreste-me, José Luis Peixoto
Fazes-me Falta, Inês Pedrosa)



15 comentários:

  1. Ta Lindoo o texto. No inicio pensei que tavas a falar de um rapaz (e por acaso tenho de te peruntar como vai isso, com os exames, passou me completamente) mas depois, apercebi-me do que tavas a falar. Foi ha tanto tempo! Ja nem me lembrava desses tempos.

    "Morreste-me" por mim dentro e por fora de mim e por fora e por dentro dos outros. De estranhos, de presentes, morreste incontestavelmente."

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  2. Pois saí :$
    Mas custou tanto ficar em casa naquele dia ..


    ------

    Li cada palavra deste texto, e percebo cada sentimento que de cada uma saí. É nestas alturas que a palavra inconformismo até enerva sem razão..
    Queima-se coisas dentro de nós, deixando tudo opaco. Ri-mos sem motivos e dizemos a nós próprios que está tudo bem. É nestas alturas que tudo cai e nós nem uma palavra dizemos à pessoa que nos viu partir ou que partiu. É nestas alturas que morremos cada dia esperando que algum dia tudo volte ao que era, (se não com a mesma, com outra pessoa)
    E será sempre nestas alturas que estaremos sempre cá para ver sorrir outro alguém com mais força, apenas por nos ver sorrir..

    A vida é bela. Nós é que temos de fazer por isso, não é? :)

    beijinho

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  3. Sao piores que peixe "foda-se" 8D

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  4. Não sei se o texto tem a ver com o que estou a pensar, mas isso também não interessa muito..
    já te elogiei mil vezes pelos os testes que escreves, e olha diferente ali da Martina S', eu não percebo bem esses sentimentos, acho que nunca "me morreu" (no sentido em que estás a falar) alguém, portanto não sei bem o que te dizer.
    Continua mas é a sorrir. E como disse a Martina S', a vida é bela :)


    ti amo amore*

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  5. Lindíssimo !
    e o 'Fazes-me Falta' da Inês, bem... perfeito.

    Concordo com a Martina.
    Mas "morreste" não é o mesmo que dizer e SENTIR "morreste-ME"... e sei que sabes bem qual é a diferença, ou melhor, o sentir...

    beijinho

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  6. Morreu-te?
    Não faz mal que não fales do conteudo, falaste das palavras. *

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  7. Acho que é mais ou menos isso :$

    Concordo em certa parte porque é verdade que se virmos uma pessoa contente mesmo se não a conhecemos de lado nenhum, ficamos também contentes, mas não concordo que dependa só das outras pessoas para obtermos a nossa própria felicidade :\

    Tudo muda.. e ai não sei, há tanta coisa que nos move. Tanta luz, sorriso, abraços e amizades :P

    O qui serâ serâ :)




    PS: Pois, a Steff também tem razão. Eu percebo que exista várias formas de perda, e umas coisas podem partir para não mais voltar.. mas dessas formas de perda tipo "morte", nunca as senti.

    *

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  8. aqele da Emilia das Meias Rotas ? --'

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  9. tive de imprimir o e.book (nao encontrei o livro em nenhuma loja de braga! fui mais tarde encontra.lo no porto ...)

    dos poucos livros que me fez chorar como em poucos momentos da minha vida..

    Boa escolha*

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  10. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  11. (falava do morreste.me do peixoto (: o outro, o outro nao li (e com esta fujo timidamente*))

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  12. depois deste trocadilho, precisas mesmo de ler o Morreste-me . prosa poética que amo (a minha cópia ficou manchada de lagrimas (ohoh , pieguice)


    beijinho :)

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  13. de todos, poesia e prosa, só me falta acabar o Cal (sim, gosto mesmo dele! ahah)

    o senhor meu namorado encontrou o 'e.book'na net! pesquisando assim ele deve aparecer (leiga!)


    beijinha *

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  14. Se eu tivesse tempo e dinheiro, este ano repetir a experiencia *-*

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