15.3.09

Retrato duma princesa desconhecida


Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino

Sophia de Mello Breyner Andersen



6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  2. Hei eu não eliminei comentário nenhum!! :O
    Quem é que comentou??

    ResponderEliminar
  3. Meteste esse poema no meu hi5 :)

    ADORO-TE INÊS!

    ResponderEliminar
  4. Blog lindo ^^

    Vou voltar :)

    Beijocas ^^

    ResponderEliminar