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8.9.11

acaba Agosto. Partidas, reencontros, argumentos, conversas, despedidas, abraços, beijinhos, ir, voltar, encaixotar a vida, dizer adeus e olá. Foi forte. Foi quente. Foi devastador.
entra Setembro. Mês que por excelência que sempre detestei. Começavam as aulas, dizia-se adeus a velhas coisas, entravam novas, por norma, o começo das aulas e o reencontro com a rotina, o começar do zero. Este ano porém, as coisas afiguram-se-me diferentes. Olho para Setembro vigorosamente, para as aulas, para a Cidade, para a Casa, para a gente, para os lugares, os Livros, os projetos, os planos. Este ano Setembro lava-me a alma, num novo (re)começo que me apaixona. Na mesma rotina o quotidiano muda, dá voltas, deu voltas, e o começo do mês atrai energias positivas. Se não voei muito alto até agora, pode ser que em Setembro apanhe balanço. De volta a Casa claro e, feliz, essencialmente.

22.5.11

sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam
Sempre chegamos, ainda que o sítio aonde nos esperam seja longe do nosso sítio. Ou que quem nos espera não nos espere somente com o corpo. Ou ainda que, nós não queiramos chegar a nenhum sítio por já termos chegado a algum lado. Ou por ainda não termos, não nos queremos mudar muito do sítio aonde estamos. A verdade é; chegamos sempre a algum sítio. Quer nos esperem ou não, ou se nos esperam muito ou pouco ou, se nós esperamos algo. Chegamos sempre a algum sítio. E eu, já cheguei a muitos. E cheguei a este. E agora na hora de partir, tenho dúvidas se não era melhor ficar no aconchego da tua pele fria de Inverno e do teu corpo estrangeiro, em vez de partir outra vez, para algum sítio aonde me esperem com desassossego nas cabeças. Para chegar aonde estou em memórias, para depois ficar por lá em vida, a esperar que não te afastes muito, que a distância é da alma é mais comprida do que as milhas que nos delimitam ambas as vidas das quais nunca faremos parte. Porque seremos sempre um amor estrangeiro à primeira vista, perdidos no primeiro sorriso da despedida, sabe-se-lá onde...

14.3.11

o mundo nas tuas mãos

Penso numa música. Penso. Penso em Foge Foge Bandido quando penso em Lisboa, penso sempre em Lisboa por aquela letra do Manuel, eu sei que o Manuel até nem é de Lisboa, mas aquela música diz-me tanto dessa cidade. "A chuva molha a minha roupa, os carros não param de gritar" e lá descia eu a rua, os sempre 10 minutos a descer a rua, e às vezes chovia mesmo, e eu de Vans molhados, e os carros passavam, e passavam os autocarros, e era um cheio típico, tão típico, que nem o sei descrever, que nem o sinto mais, nem nunca mais o senti. "Convidando-me para morrer, eu procuro não olhar" e eu nunca olhava, e descia a rua, e ouvia a voz do Manel, e baixava os olhos, porque não queria olhar para os carros que passavam, nem para as pessoas que passavam, nem para quem passava, mundano, enquanto eu descia a rua, afinal não havia nada ali, naquela rua que me despertasse a atenção, uma paragem de metro, e a casa onde eu vivi, pouco mais, talvez outros dois sítios de interesse e pouco mais, muito pouco mais. "desse eu brilho à minha estrela, não teria de me esconder" e eu perguntava-me pelo brilho, onde estaria o brilho? e descia a rua às sete e meia da manhã já estava a descer a rua, uma hora antes de ter acordado, e descia a rua a pensar no caminho, e o porquê do caminho, e o ter querido estar ali com tanta força toda a minha vida, e depois não saber sequer onde tinha o brilho, onde o conseguiria, onde o teria perdido, e as sete e meia da manhã descia a rua, baixava os olhos, e ouvia esta voz a dizer-me sempre o mesmo, mas sempre diferente, em cada descida de rua; "mas a chuva nas minhas mãos, lembra-me que vou morrer" - e morria, sempre um bocadinho mais, e morri tanto, mas renasci tanto, levantei-me tanto, e fui tanto, e fui tudo o que podia ter dito, e não houve um segundo sequer daquela cidade que eu não tivesse aspirado, e não tivesse erguido o olhar ao seu esplendor, e não tivesse consumido em bruto toda a sua beleza, e estava cheia tão cheia de tantas coisas e tão poucas coisas, parece que quando temos tudo nunca temos nada, eu parecia-me sempre isso, até mesmo quando me perdia em Lisboa, aquela minha Lisboa que é só minha, porque a que eu conheço é só minha cá de dentro, o mundo próprio que fui criando, com os meus sítios preferidos, os meus, os que eu descobri, ninguém mos disse, nunca ninguém mos mostrou, e são meus, meus e de todos, mas só meus, "meu amor está perto" e a minha Lisboa sempre tão bela, sempre tão pura, e tão velha e tão massacrada e tão minha, sempre tão minha, que não havia sítio mais bonito no mundo, e não há mais nada no mundo tão bonito como a minha Lisboa, sair na estação do chiado, e depois ir por aí, umas vezes até ao tejo, outras vezes até ao bar, outras vezes até à beleza duma cidade inteira, e "vejo-o correndo para mim", e Lisboa sempre tão magnifica que me dava sempre tanta vontade de chorar e não havia sítio onde me sentisse melhor, Lisboa entristecia-me numa tristeza bela, profunda, forte. A tristeza mais pura de todas, "só que eu não sou certo" e em ti, nela, questionei-me tanto, e tanto me perguntei de mim, e tantas perguntas me voaram do alto do Camões sem olho, e tantos pensamentos me ocorreram a caminho de Alfama ao som duma guitarra de rua, às vezes. "Vejo-me correndo para o fim" - e tanto que Lisboa me fez chorar, e me fez sorrir, e me deu tanto que não me podia ter dado mais, e tirou-me tantas outras coisas, e tanto que em Lisboa e com Lisboa fui. "Vem morar na tua casa, a pobre nunca te viu ficar, chegas sempre com um dos pés, pronto para não entrar" e depois pensava sempre que era aquilo de casa, e onde seria a minha? e por não achar respostas vim-me embora, à procura de uma casa que fosse minha, ou somente à procura de uma casa, talvez somente uma casa, e depois quando olhei Lisboa até dali a muitos meses pensei que ia conseguir dizer-lhe de facto adeus por muitos meses, dizer adeus à minha Lisboa, à minha Lisboa. "meu amor está perto" e estava tão longe e depois fiquei tão longe, tão longe já que nem a memoria me podia lembrar, já e já nenhuma memória me lembrou já, "vejo-o correndo para mim" e depois fui eu que corri, para mim, para mim, e corri tanto e cansei-me tanto, e cheguei tantas vezes, e disse adeus por uns meses, a uma paixão tão grande, uma amor tão nefasto e depois estive tão longe dessa Lisboa que amei tanto, que amo ainda tanto, e depois estar longe foi a melhor coisa que fiz. "Vejo-me correndo para o fim". E depois pensei que de facto uma música que me faz lembrar Lisboa é esta, porque sim.

22.2.11

"Obrigadinha, então"
Quero agradecer-te, por toda a felicidade que me tens permitido no mundo que criaste. A ti devo as pessoas mais fantásticas que se atravessaram na minha vida, devo todas as noites em que adormeci coberta por um manto de estrelas num céu escuro, a ti devo o medo de andar à noite ou de tentar pela primeira vez o leme de um barco. A ti devo tantas dores nas pernas, tantas bolhas nos pés, mas um coração tão cheio que não há igual. A ti devo os nós e nós. A ti devo a natureza que me fizeste conhecer, explorar e entender, devo as mais alegres canções e os mais verdadeiros sorrisos na cara de todos os que me aquecem a alma. A ti devo uma vida cheia de aventuras, de jornadas às vezes árduas, mas de um caminho que não troco por nada. A ti devo a vida, esta vida que criaste, para deixares o mundo um pouco melhor do que o encontraste. Obrigado Grande Chefe, obrigado por nos teres deixado um mundo tão cheio de coisas lindas.
Isto é amor. E isto também.

9.2.11


Sempre fui da opinião que os filmes que nos marcam, digo, que levam algo de nós, quando têm de nos pertencer, têm de nos pertencer e ponto final. Por esta mesma simples razão, não me importo de me embrenhar no meio de estantes de dvd's que nunca mais têm fim, para talvez viver aquele momento de plenitude que é encontrar O filme, e tê-lo em mãos. Isto dá-me realmente prazer. Por isso não me importo de passar horas à procura de alguma coisa, de algum filme que ao primeiro olhar olhe para ele e sinta que é aquele, porque é isso que acontece quando tem mesmo de ser. Aconteceu isso com os The Dreamers, tava lá, assim que o vi, soube logo que aquele filme era parte de mim. Não aconteceu o mesmo com este Stealing Beauty somente porque não me veio parar às mãos em formato de dvd, mas a paixão foi (imediatamente) a mesma. E claro se algum dia tiverem de defender o bom nome de alguém, defendam o de Bernardo Bertolucci, esse grande senhor do cinema.

6.2.11

Eu quero um amor. Um amor novo. Um amor justo. Um amor apaixonante. Um amor com adrenalina. Um amor rebelde. Um amor vivo. Um amor real. Um amor aventureiro. Um amor sem preconceitos. Um amor limpo. Um amor livre. Um amor cortês. Um amor de mochila às coisas. Um amor sem medo. Um amor daqueles que levam tudo, mas deixam tanto mais.
Eu quero um amor novo, daqueles que toda a gente sabe que existe, mas nunca ninguém sentiu, mas eu sei que existe por ai, um qualquer amor meu, daqueles amores como fala o Miguel Esteves Cardoso no seu Elogio ao Amor.
Sim é um amor desses, exactamente desses amores de outrora que já ninguém se lembra como é. Porque já todos desistiram desse viver apaixonante. Eu não desisti. E os meus olhos dizem-me todos os dias que querem viver, eu quero viver, essa emoção forte, só possível através desse sentimento já esquecido nos ocos da memória já passada. Mas eu lembro-me, eu lembro-me bem de como é sentir o peito a bater forte e a pulsação a mil, eu lembro-me bem como é ter um sorriso estúpido na cara e ser livre e estar presa ao mesmo tempo. Eu sei o que é ir em frente e não querer sequer olhar para trás porque o caminho é delicioso. E bem, eu sei que esses amores do Miguel Esteves Cardoso andam por aí, eu acredito neles como acredito nas minhas botas de montanha, nunca me falharam. A mochila está feita, vamos embora.
Era um amor desses, se faz favor.

3.2.11


I'm sure that I will miss this at some point. I know by heart that I will cry when will be time to coming back to my country. I know this. Even if I can't deny that the beginig of all this was a big fight and a badly hard time. But still, when I look back and I realize everything I had learn, lived and felt, I just want to do it all over again. I know that I'm improving, I'm growing up, I'm being a woman now, and maybe was necessary to cross all of this miles to get here, here at this place, at this 59 Mount Street, at this rooms, at this housemates, at this walls, at this university, at this cities around, at this people. Maybe, was necessary to me, to know all of this, to get use to it, to learn with them, or sometimes to teach them, don't really matter. By the end I know that even with that hard beginig, everything was supposed to happen like the way it was. Everything that toke me here, and that will take me to other places. By the end I know that I'm a luck girl, because I couldn't even not be here, I couldn't even not have this possibility. But I'm here, this is real, is not only my dream, is not only my mind, this is real, this is completly real, and I'm so glad for it. I made it, even if sometimes I think I'm still dreaming. Well I'm not. I'm just afraid of wake up in a few months, the few months that I still have to be here, and then take hold of the life that I left behind in September, that is not mine anymore, and never will be, not after all of this, not after the biggest adventure of my life, after this, everything will change, and so do I...

[to be continued....]

19.1.11





- me and Josh we are going to do the most fucking amazing performance that this university had seen. because we have blood in our veins man, we have blood!





19.12.10

Hoje eras para estares aqui comigo, mas não estás. E eu não gosto de estar sozinha em casa. Hoje era para estares aqui e para termos ido ver Londres, e eu até fui a Londres e tudo para te encontrar por lá, e até tinha pensado em percorrer todos os cantinhos daquela cidade contigo, até os que ainda não conhecia, porque era contigo, e eu queria mostrar-te tudo, e descobrir tudo, contigo, e até já tinha feito uma lista na minha cabeça dos sítios onde te ia levar e onde íamos tirar fotografias e onde eu te ia falar daquela cidade tão espontânea, tão viva, tão rápida. E eu até fui a Londres e tudo e até passeei por lá olhando cada rua, cada pedacinho de neve, cada transeunte nas esperança de te encontrar, mas sabia que estavas longe, estavas longe de mim. Não te permitiram voar hoje, logo hoje que eu estive lá há tua espera até ao último esganar, logo hoje que era um tão bom dia para te abraçar, porque é um dia com 9 e é um dia ímpar e era um dia maravilhoso. Hoje foi o dia em que eu te ia encontrar de novo depois deste tempo que já nem sei quanto é, e hoje até passeei por Waterloo contigo ali ao lado, ali tão perto mas tão longe. Hoje foi o dia em que não conseguiste voar até à cidade dos artistas, mas amanhã vais voar, porque as tuas asas são grandes e a tua força move montanhas, eu quero muito que voes, porque quero estar contigo em Casa.

18.12.10

O longe faz bem aos olhos

às vezes perguntam-me pelas saudades e às vezes ainda nem bem antes de me as perguntarem já eu as sinto e há vezes que só de pensar no país que deixei apetece-me continuar-lhe com as costas voltadas. a verdade é que estou aqui e sim, nem sempre as coisas correm bem, mas a infinidade de metafisicas unas e insubstituíveis que vou ganhando dia após dia faz com que os dias de saudades sejam só mais um anexo na aventura da viagem. às vezes sinto falta de tudo e todos, mas há outras vezes como esta, que sinto que o longe foi a melhor coisa que me aconteceu. e voltar? não sei se quero voltar tão cedo. ainda é cedo.

29.11.10



hoje até me apetecia apaixonar-me de novo, e comer chocolates, e ver filmes até o sol nascer, e falar com alguém ao telefone só porque conversar é bom, hoje até me apetecia estar aqui assim no sofá a ouvir o tiago bettencourt a cantar e a viver apenas ao som da música, só porque sim. hoje até me apetecia sorrir, sorrir muito, só porque sorrir é bom, e é bom estar aqui.

20.9.10

#111

sabes o coração apertadinho? o estômago na boca? as pulsações a mil? e as lágrimas quase a encherem os olhos? assim estou. Com as noites a depegarem-se dos pesadelos, com as insónias, com o corpo todo jogado para cima da cama às voltas e voltas e voltas e a vida toda dentro duma mala de viagem. Gostava muito de te levar comigo, gostava muito que coubesses na mala e estivesses junto a mim quando lá chegasse, gostava muito de te ter para te contar as aventuras, e para não me perder no meio das ruas desconhecidas. Gostava muito que a distância não fosse mais que um olhar e que o longe estivesse ao alcance dos meus prórpios passos. Gostava muito de te guardar, tal e qual e recordar-te para sempre. Gostava muito de não me esquecer de nada, e que me escrevesses uma carta, ou muitas cartas, a contar-me as novidades do teu país. Eu sei que as cartas já não se usam, mas eu gosto do cheiro acre do papel com tinta, e com os selos lá de longe. Gostava muito que as memórias do que passa não se dissipassem com o sol dos dias que se vive, e que tudo fosse clamo e enrriquecedor. Gostava não ficar doente e que não me doessem os ossos até à alma, e de não ter medo de voar como as gaivotas. Gostava de não sentir o peito pequenino, e de não ter a respiração quase presa e a cabeça a latejar. Gostava muito que me dissesses que vai tudo correr bem... Porque se calhar caiu-me a coragem para baixo da cama, e eu sempre tive medo de olhar para lá.

10.9.10

amoré




é certo que este está longe de ser o melhor sapato do mundo, não é ortopédico, não faz bem às costas, e rompe-se com alguma facilidade. Este não é um sapato que agrade a gregos e a troianos, e não calha bem a todo o indivíduo. Mas calha bem em qualquer situação; um passeio pela cidade, uma ida ao jardim, uma festa, uma saida à noite, um concerto, uma ida ao teatro, uma viagem, uma tarde no sofá... Porém apenas se o deve usar com gosto, com o gosto de quem quer de facto usa-lo porque o ama.

Este não é um sapato qualquer, é O Sapato.

E eu podia calçar todos os sapatos do mundo, de todas as formas e tamanhos, mas isso não significaria nada, porque nada para mim se compara a este.

É um amor cá de dentro, é uma paixão exaustiva, é um uso desumado até cairem aos pedaços na calçada, é uma veneração que não chega a ter fim.

Meus queridos Vans.






17.8.10

não há longe, nem distância.



"espero que tenhas as melhores experiências, e que não te esqueças do que é ser escuteira, mas isso tenho a certeza de que não o farás."

"nunca te esqueças que eu mudei a tua vida, serás para sempre um pedacinho de mim."

"quero que essa tua atitude nunca mude! é uma mais valia..."

"daqui levo a memória de grandes noites"

"até à próxima "Ineis"!"

"é de pessoas como tu que fazem valer a pena vir a estas actividades."

"Buenos dias Matosinhos!"

"guarda-o bem para que te lembres de mim, porque eu vou-me lembrar de ti."

"a tua alegria contagiou-me e iluminou as minhas noites (...) vou falar de ti aos meus filhotes!"

"continua a sorrir e a ser uma grande caminheira, mantém uma grande atitude que acredita, mobiliza toda a gente."

"és insuperável, mantém-te sempre assim."

" vou ter saudades da tua alegria contagiante"




Não tenho nenhuma palavra que valha a pena.
Muitíssimo obrigada por tudo.


15.8.10

amor de dentro

há coisas que eu gostava muito de explicar, mas são impossíveis de pôr em palavras.

Serei ROVER para sempre.

30.7.10

The Fucking End.

(...)
- Então, era o quê, que nós tínhamos combinado?
- Era a discussão do trabalho Professor.
- E era para hoje não era?
- Pois, eu estou à sua espera há 3 horas.
- Oh I. peço imensa desculpa, é que sabe, eu fui levar uma injecção e estou a ficar zonzo, e com este calor vai ser um perigo pegar no carro, já imaginou?
- Pois, eu compreendo. Mas então como é que fica a minha nota? É que eu vou-me embora dentro de dois dias.
- Oh I. não se preeocupe, não percisa discutir o trabalho eu já lhe dei uma nota no trabalho, é com essa que fica na cadeira.
- Ah sim? E que nota é?
- Olhe, então eu no trabalho dei-lhe dezasseis.
- (silêncio)
- Está ai I.?
- Desculpe, não percebi o que disse, deu-me que nota professor?
- Eu disse que lhe dei dezasseis.
- Dezasseis?! (boquiaberta)
- Sim, sim. Um dezasseis, ta a ver? Um 1 e um 6; dezasseis (16).
- (boquiaberta-sem-reacção) Um dezasseis no trabalho?
- Sim, mas fica com dezasseis na cadeira também, como nota final.
- (tentando recuperar do choque) Oh. Estou a ver, bem, hum, então obrigada Professor e as melhoras.
- Ora de nada I. fique bem, boas férias.

(ouve-se o impulso do outro lado da linha, I. mete o auscultador em baixo e olha para a senhora do departamento de Filosofia enquando esta acabava o seu iogurte e dava indicações a outro aluno, I. saltou uma vez, gesticulou, conteu a voz e disse em voz empolgadamente baixa)
- ele deu-me um 16! -
(A senhora do departamento de Filosofia sorriu) - Ahhh! vês, eu bem te disse que era melhor telefonares! Depois pagas-me um cafezinho! (risos)
- Até lhe ofereço o jantar na minha casa!
- Ora deixa lá, só quero um cafézinho, vai-te lá embora miúda, vá, boas férias, diverte-te!

I. saiu pela porta da faculdade com aquele tipo de sorriso de quem viu um pássaro azul, que sempre odiou ver nas caras dos mortais, mas sabia bem, foi o primeiro dezasseis académico, e um dezasseis académico faz-nos sentir uma espécie de deuses. Depois de muito café, muito puxão de cabelo, e muitas canetas a bater no chão, até sabe bem ouvir o nome Foucault e a História da Loucura.

Nove meses, dez cadeiras, uma cidade encantada.





18.5.10

Chegar


Um dia tive medo. Tenho medo muitas vezes. Mas quando isso acontece, fecho os olhos e deixo-me levar pelos caminhos das minhas emoções, vejo coisas, vejo muitas coisas. Quando abro os olhos novamente, posso continuar com medo, mas sigo em frente. Nesse dia em que eu tive medo segui em frente. Quando abri os olhos tinha um lenço vermelho ao pescoço. Agora já não tenho medo, nem palavras que consigam descrever o que sinto. Mas tenho uma coisa certa dentro de mim: levo as quatro cores no braço, levo no braço a minha vida inteira.

12.4.10

O Sonho é...

Um dia li em algum lado, e se não estou muito longe da verdade terá sido no "Alquimista" que, Quando queremos muito uma coisa, todo o universo conspira para que se realize. Acreditando eu nisto, ou não, sempre quis muito uma determinada coisa e até onde pude tentei fazer tudo para que se realizasse, mas nós não somos mágicos e só podemos fazer coisas até um certo ponto, foi isso que fiz. E depois, esperei que o "acaso" me resolvesse o problema. Talvez nesse tempo de espera o bater de asas da borboleta na china tenha feito com que a força do universo contribuisse para a realização do meu desejo, ou talvez tenha tido apenas sorte de principiante. Com isto quero significar que hoje me sinto incomensuravelmente feliz, tão feliz que esqueci como se fala e como se reage. O meu sonho continua longe, mas vejo-o agora possível. O meu sonho esta coisa que com tanta força sempre quis desde que a memória se lembra de ser minha, está agora visível, viável, a caminho dos meus passos. Este sonho que me faz ter hoje um dos maiores contentamentos neste assunto. E se o "acaso" o permitir... lá vou eu, lá vou eu, lá vou eu...

7.4.10

H.I.








em Idanha ficou uma história para contar.







(Reis, Princesas, Aias e Bobos
um gato pardo e uma lua cheia no meio das árvores.)




21.12.09

The Show

Durante muito tempo ainda tentei ir contra esta vontade que me angustiou sempre, de um sonho fracassado. Também nunca me esforcei muito mais do que isso para ir em função dele. A verdade é que hoje me é completamente impossível ficar-lhe indiferente. Foi uma coisa que nasceu comigo e há-de-me acompanhar até ao fim: sou completamente afiixionada pela moda. Embora proteja os os direitos da natureza e repudie o consumismo humano e seja a favor da qualidade de vida animal, a moda para mim tem e terá uma importancia fundamental se não até mesmo essencial. Mas note-se uma coisa, não se trata de comprar 5 pares de calças num dia ou andar sempre com roupa nova, trata-se da moda no seu estado mais puro. Os desfiles de moda, os estilistas, as novas tendências, os padões, as cores, os tecidos, as entrevistas, os modelos, as maquilagens, todo esse enredo de feitos, toda essa manobra até chegarmos ao basico pronto a vestir das lojas mundanas. Do site mais famoso ao blog mais vagabundo eu vejo e relaciono todas as roupas, todas as conjugações de vestuario, todos os apelos a novos estilos, que no fundo são só mais o reviver de épocas passadas, mas que me preenchem de uma forma inimaginável. Isto é o meu eu verdadeiramente próprio, este desejo que nunca foi mais além do que um simples sonho de criança já há muito dissipado, mas que se vincou e vinca em toda a minha personalidade até aqui. Desse mundo completamente despresível que cria em mim emoções que não encontro em mais mundo nenhum. No fundo, até podia ter vingado bem na vida, não é que fale como se tivesse 90 anos e fosse morrer amanhã, mas ou isto se agarra no ínicio, ou a meio já não vamos a lado nenhum, e eu já não vou a lado nenhum, mas fica pra sempre o sonho, o verdadeiro sonho, o único sonho.